Afinal também tenho...

Na primeira consulta do meu pai no hospital o médico diz que eu e a minha irmã tínhamos que fazer também ressonâncias porque desconfiava que pudesse ser hereditário. Assim o fizemos. Fizemos as ressonâncias no hospital. No dia que fomos à consulta ele abriu primeiro o exame da minha irmã e disse logo que ela não tinha a doença, que estava tudo bem. Entretanto abre o meu e um silêncio se instalou e eu aí percebi que algo não estava bem. O coração começou a bater mais depressa porque sabia quais iam ser as próximas palavras do médico. Aí ele explica-me que tenho a doença mas somente um enquanto que o meu pai tinha 3 mas (porque traz sempre um mas) o meu angioma estava alojado num local muito, muito complicado. Sim, porque não se enganem! Aqui a miúda tinha 14 anos mas já tinha a gana. Antes do "mas" ela perguntou se podia operar e tirar. Sim, porque ela achava que tirava-se e estava! Até o médico achava… Neste caso, o meu medico explicou-me que não era possível porque o angioma estava muito profundo mas em outros casos daria e ficaria resolvido.

Bem, vigiamos todos os anos o meu rico angioma cavernoso com ressonâncias (onde agora até já adormeço) e consultas para detetar algum sintoma que tivesse tido.

Até que por volta dos meus 21 ou 22 anos, uma ressonância de rotina que seria para ver como estava a comportar-se o angioma , mostrou que nasceu outro... Se vissem a cara do meu médico incrédulo com o que estava a ver... E voltamos outra vez à pergunta: Doutor dá para operar?, ao que a resposta foi afirmativa. Depois de analisar o seu diâmetro e onde se situava, com o seu ar descontraído e divertido que tanto gosto, explicou-me que seria uma situação fácil. Que se situava na parte frontal esquerda, que ainda não tinha sangrado, estaria ainda tudo compactado, ao que as palavras dele foram "abre-se, tira-se, fecha-se e ficas como nova". Muitos diriam que é uma forma frio de ver as coisas mas a verdade é que ele gosta de descomplicar e eu confio nele com todas as minhas forças e assim ele colocou-me na lista de espera de operações de neurocirurgia.

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